Google+ Meu Mundo: Kinbaku - A Arte do Bondage Japonês

sábado, 9 de julho de 2011

Kinbaku - A Arte do Bondage Japonês

Quem me conhece sabe que eu tenho uma grande fascinação pela cultura de outros países, gosto de conhecer a maneira de pensar de outros povos, seu estilo de vida, principalmente a sua arte (música em especial), aqui no Brasil temos o Samba, o Carnaval, Bossa Nova, MPB, Funk Carioca, na Colômbia temos a Cúmbia (estilo de música que nasceu nos guetos das grandes cidades colombianas que se disseminou por quase todos os países falantes do castelhano na América Latina), eu como mexicana admiro no México a sua gastronomia (culinária rica em proteínas, vitaminas e minerais), sua música de raiz (Mariachi e Jarana) e a sabia cultura deixada pelos seus ancestrais (Olmecas, Toltecas, Teotihuacanos, Zapotecas, Mixtecas, Astecas e Maias), gosto do Metal e das historias de Vikings dos países Nórdicos, gosto da historia africana, a resistência da Etiópia, o racismo na África do Sul (que se entende pelo mundo afora infelizmente), batidas angolanas (Kuduro, Zouk, Kizomba) e assim por diante... Agora uma das que mais me dominam é a cultura japonesa (anime, mangas, J-Rock Rock japonês, J-Pop Pop japonês, tecnologia, historia dos samurais na época feudal e o Shibari.

Imagine ser amarrada assim:


Esse é o Shibari uma antiga técnica de amarração usada para tortura na época do Japão feudal. Os nós são extremamente complicados e o resultado e a preocupação com a estética é imprescindível. Os nós são feitos com cordas de cânhamo e o resultado são sempre marcas lindas e doloridas (soooo sexy!)

Kinbaku (ou Sokubaku) é um estilo japonês de amarração sexual ou BDSM (Bondage e Disciplina, chamada de BD. Dominação e Submissão, chamada de DS e Sadismo e Masoquismo, chamado de SM) que envolve desde técnicas simples até as mais complicadas de nós, geralmente com várias peças de cordas (geralmente de 6mm ou 8mm) e que podem ser de materiais diferentes, sendo a tradicional corda japonesa utilizada para o Shibari, a de cânhamo.


Para entender o Kinbaku é importante entender antes de qualquer coisa, a maneira japonesa de pensar e quais os objetivos que os amantes dessa arte esperam alcançar. Na cultura japonesa, o grupo é sempre mais importante do que os indivíduos que constituem esse grupo. Neste caso, o grupo é você e seu cônjuge e o bondage é o resultado de um esforço conjunto desse grupo. O sucesso de um bondage (tipo específico de fetiche geralmente relacionado com sadomasoquismo, onde a principal fonte de prazer consiste em amarrar e imobilizar seu parceiro ou pessoa envolvida podendo ou não envolver a prática de sexo com penetração) é determinado pelo valor que os parceiros colocam nesse ato. É a habilidade, o conhecimento e a técnica do amarrador unidos à capacidade do cônjuge de enfrentar, suportar e lidar com as amarras.

Os efeitos psicológicos do bondage japonês são incríveis. Não somente ela vai se sentir totalmente exposta à sua mercê, mas também estará constantemente e de maneira crescente excitada pelos efeitos eróticos das cordas. Isso é maravilhoso e ao mesmo tempo embaraçoso, porque além de seu cônjuge não ter como controlar essa sensação de excitação crescente, também sabe que isso não é o suficiente para satisfazê-la e vai acabar pedindo (muito provavelmente implorando!) por mais. Interessante, não?

Outra característica interessante do Kinbaku, é que a corda ao contrário do couro ou das algemas de metal, sempre deixará sua parceira com a ideia de que poderá escapar, mas se seu bondage for bom ela poderá se debater, mas não vai conseguir escapar, o que a deixa brigando com a questão de se submeter de vez (isso é frustrante) ou colocar mais esforço ainda para se livrar das cordas, tem outro detalhe: quanto mais se debater, maior será a estimulação erótica a que estará submetida.

O Kinbaku pode ser feito no solo ou com suspensão. O resultado é sempre muito bonito, mas o caminho é bem difícil... Para amarrar uma mulher, o homem tem que ser além de carinhoso, muito cuidadoso. Quando você se entrega ao Kinbaku confia seu corpo, sua dor e sua alma às mãos de outra pessoa.

Mas para a boa prática do bondage é necessário treino, treino, e treino. De quem amarra e de quem é amarrado. A pessoa envolvida no papel receptivo (passivo, botton, submisso, escravo) deve ter noção do que é estar imobilizada, do que é estar exposta, do estar sem defesa, saber negociar, ter muito respeito próprio, confiança no parceiro e ambos precisam aprender a se entenderem da maneira mais completa possível. Mas o parceiro ativo (dominador, top, mestre) também tem muito a aprender e treinar. Precisa ter uma personalidade balanceada e ser capaz de abrir mão de suas motivações pessoais em favor do esforço do "grupo". Apesar de estar no papel ativo e de ser líder do "time" e líder na ação, ele tem que entender que só existe liderança se houver alguém para ser liderado. Time é isso. Grupo é isso.

Este treino por si só, é um dos aspectos mais importantes e chamativos do bondage japonês. Treinando juntos para conseguir seus objetivos (o que pode demorar anos) é mais um motivo de prazer para os parceiros envolvidos neste processo, porque é um processo contínuo de aprendizado e melhora. O shibari diz respeito a encontrar um equilíbrio, encontrando o optimum entre os parceiros, não o maximum. Nunca esquecendo que o perfeito equilíbrio entre parceiros, o optimum, na maneira japonesa de pensar, é o máximo!

Gosto do Kinbaku por que nele existe uma integração complexa de vários objetivos: a imobilidade, a instabilidade, a exposição, a dor, o desconforto, a humilhação, a incerteza e a estimulação erótica sem alívio. Óbvio que nem todas as cenas de bondage conseguem combinar todos esses estímulos ao mesmo tempo, mas todo bondage sempre tem a combinação de dois ou mais desses elementos.

No Japão, o Shibari tem um sucesso imenso. Existem literalmente centenas de publicações de todo o tipo: revistas semanais, livros, filmes, exposições de fotos em galerias de arte e programações ao vivo (tanto locais de encontro, como exposições com modelos ao vivo que pagam para serem amarrados por mestres do shibari).

Se você gostou, eis umas dicas para uma noite bem sucedida:
1 - A iluminação é muito importante (porque mulher adora reparar nas próprias estrias e celulites na hora "H" e com as cordas elas só tendem a ficarem mais visíveis).
2 - Música sempre ajuda a criar um clima.
3 - Por que não velas? Você ainda pode aproveitar para pingar na amarrada.
4 - NUNCA, em hipótese alguma se esqueça de ter uma tesoura à mão (para qualquer emergência).
5 - Até ter uma certa prática, fique longe do pescocinho de sua amada!

De resto é só usar a imaginação e algumas dicas como as que têm nesse site e nessa figura:

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