Google+ Meu Mundo: Livros Proibidos Parte 1

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Livros Proibidos Parte 1

Esta terminando 2011, e como não gosto de começar um projeto e não termina-lo e aqui no blog eu disse a tempos atrás que postaria livros que foram proibidos porem muitos eu não encontrei na net, então vou fazer posts explicando sobre eles e você pode procurar em livrarias ou sebo da sua cidade caso você se interesse por eles.

Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (Natália Correia)

A Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, publicada pela editora Afrodite, de Fernando Ribeiro de Mello, que foi de imediato apreendida pela PIDE, tendo a sua organizadora, o editor, e muitos dos poetas vivos antologiados ido a julgamento e sido condenados, está disponível ao público. A Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, é uma edição conjunta das editoras Antígona e Frenesí.

Sem teias nem peias, desde os poetas medievais, ao Abade de Jazente, Filinto Elísio, Tolentino, Camões, Antero, Gomes Leal, Cesário, Nobre, Pessoa, Sá-Carneiro, Sena, Eugénio de Andrade, Cesariny, Herberto Helder.

Como escrevia David Mourão Ferreira: "Não ter medo das palavras e não recear as realidades que elas exprimem, é, sobretudo, evitar o trânsito pelo consultório do psiquiatra. Os maiores dos nossos poetas conheceram, desde sempre, essa forma terapêutica." A partir de agora, os leitores portugueses também podem aceder-lhe.

A edição da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, (Ed. Afrodite, Lisboa, Dez. de 1966), foi apreendia e julgada em Tribunal Plenário como ofensiva do pudor geral, da decência e da moralidade pública e dos bons costumes. Foi reconhecido o mérito literário da obra com exceção dos textos de Mário Cesariny de Vasconcelos, cujo mérito literário foi considerado nulo.

No plenário criminal da Boa-Hora, em audiência coletiva, sob a presidência do desembargador Fernando António Morgado Florindo e com a presença de Costa Saraiva, adjunto do procurador da República, terminou no dia 21 de Março de 1970 o julgamento por abuso de liberdade de imprensa dos responsáveis pela publicação da Antologia.

Foram condenados:
Fernando Ribeiro de Mello, editor, e Natália Correia, escritora e organizadora da Antologia, a 90 dias de prisão correcional, substituíveis por igual tempo de multa e mais 15 dias de multa à mesma taxa.

Luiz Pacheco, Mário Cesariny, José Carlos Ary dos Santos, Ernesto Manuel Geraldes de Melo e Castro, escritores, foram condenado a 45 dias de prisão, substituídos por multa.

Os livros apreendidos foram declarados perdidos a favor do Estado para serem destruídos. O acusado Francisco Marques Esteves foi absolvido.


Escritor, Quarenta e Cinco Anos de Idade (Bernardo Santareno)

Escritor português nasceu em 19 de Novembro de 1920, em Santarém. Formado em Medicina, com especialização na área de psiquiatria, Bernardo Santareno, pseudónimo de António Martinho do Rosário, foi um dos maiores dramaturgos portugueses.

Tem sido corrente dividir a dramaturgia de Bernardo Santareno em dois grandes momentos: um que corresponderia às peças escritas entre 1957 e 1962 (A Promessa, O Bailarino, A Excomungada, O Lugre, O Crime de Aldeia Velha, António Marinheiro, Os Anjos e o Sangue, O Duelo, O Pecado de João Agonia e Anunciação), enquanto momento de "reflexão e busca de novas formas de expressão" (cf. REBELLO, Luiz Francisco - Posfácio a Obras Completas, vol. IV, Lisboa, Caminho, 1987, p. 388); nitidamente distinto de um segundo momento, inaugurado com O Judeu, marcado pela passagem de um esquema tradicional naturalista a um teatro Brechtiano, amadurecido também na influência de Peter Weiss.

A possibilidade de encadear, de forma não linear, no discurso de um narrador, o tratamento do tempo, conjugado com o recurso a modernas técnicas teatrais, como a utilização de vários espaços cénicos ou o uso dramático da luminotecnia, de efeitos visuais e sonoros, permite, então, subvertendo o modelo aristotélico, conseguir um acréscimo de sugestividade na transmissão da mensagem teatral. Entre estas duas fases, o traço de união parece ser a atenção prestada a um protagonista comum, "o povo português" (cf. id. ibi., p. 291), para o que concorre uma permanente articulação entre uma dimensão individual e histórico-colectiva na sua dramaturgia, ao mesmo tempo que, segundo Luiz Francisco Rebello, "Religiosidade e superstição, misticismo e erotismo, são os polos entrecruzados de um excruciante jogo dialético entre o bem e o mal, que se relativiza e torna cada vez mais concreto à medida que a obra progride e evolui no sentido de uma crescente consciencialização social." (id. ibi., p. 392), como se, ainda de acordo com o mesmo crítico, a incidência sobre a problemática da transgressão social, que seria objeto privilegiado a partir de O Judeu, não deixasse de conter em si a transgressão moral e frustração carnal abordadas em peças como A Promessa, O Crime da Aldeia Velha, João Agonia ou António Marinheiro.

É certo, no entanto, que a eleição, desde 1962, de temáticas históricas com um alcance implicitamente didático permitirá uma utilização da "história como "máscara", à transparência da qual o passado devia ler-se como presente." Estratégia que não passando despercebida pela censura, tornou-o um alvo da perseguição do regime salazarista, impondo sucessivas interdições de representação das suas peças.

O profundo envolvimento na denúncia contra os atentados à integridade, dignidade e liberdade humanas atingirá um momento máximo de frustração e desilusão na peça de inspiração autobiográfica Português, Escritor, Quarenta e Cinco Anos de Idade, texto que, concebido como despedida do teatro e da vida assume a forma de relato (individual, mas sem dúvida com um eco geracional) da forma como perdera todos os ideais, o entusiasmo e a esperança, entre a juventude e a vida adulta, atravessando as vias de martírio individual e coletivo do século XX português e europeu, chamadas Guerra Civil espanhola, Segunda Guerra Mundial, regime salazarista ou guerra colonial portuguesa. Depois da revolução de Abril, desenvolveu uma intensa atividade na tentativa de reestruturação do teatro nacional, para a qual concorre com textos originais, coligidos em Os Marginais e a Revolução.

A Atenção (Alberto Moravia)

Sinopse:
O romance e a vida. A verdade da vida e a verdade da arte. Como se tocam e como se separam estas duas realidades?

O herói de Alberto Morávia – um dos maiores escritores italianos da atualidade – é o jornalista Francesco Merighi, homem que já passou os quarenta anos e que decide registar num diário tudo quanto lhe acontece.

As máscaras do quotidiano devem cair diante da verdade nua e crua. Merighi é um jornalista fracassado, que tenta, assim, realizar o que nunca conseguiu: prender, naquilo mesmo que escreve os múltiplos caminhos da vida e o seu sentido. O sangue e o sal da vida. Sem pudor e sem escrúpulos.

E muito mais fabuloso e inquietante do que imaginara se revela o dia-a-dia que analisa: Cora, a mulher, por detrás das aparências, cultiva uma perigosa ambiguidade; Baba, a jovem enteada, desenvolve, com estranha candura, um trabalho de sedução – a que os sentidos não são alheios -, que o visa a ele, Merighi.

A Atenção transforma-se, de página para página, num interrogatório alucinante, em que se envolvem sensualidade e inesperada beleza, elementos do universo interior, que só o extraordinário talento de Morávia, mestre de romancistas, consegue nos comunicar.

Os Aventureiros (Harold Robbins)

Nascido em Nova Iorque, Harold Robbins é um dos autores de maior renome a nível mundial, com romances que muitas vezes espelham as suas próprias experiências de vida e são povoados por personagens inspiradas em pessoas que terá conhecido.

Uma característica comum a todos os romances de Harold Robbins é estarem recheados de ação movimentada, assente num estilo narrativo intenso e pletórico de vitalidade. Tal como acontece também claro, com "Os Aventureiros".

A história gira em torno de Dax, um individuo rico e amoral, que percorre incansavelmente o globo em busca dos prazeres exóticos; os seus encantos selváticos proporcionam-lhe um cortejo de mulheres deslumbrantes e a sua ambição violenta o conduziu ao apogeu do poder internacional.

Penetrar no mundo assim descrito por Harold Robbins é conhecer também um mundo de paixão e tensões, de pobreza e de poderio. É conhecer também o mundo que abarca os seis continentes, e os segredos e desejos e fantasias íntimas do coração e do espírito; um mundo que ricos e pobres partilham entre si. É, afinal, conhecer em profundidade o nosso mundo de todos os dias.

O romance monumental que é "Os Aventureiros" conduz os seus leitores da América do Sul para Paris, Nova Iorque, Londres e a Riviera... Hollywood, e os ricos campos petrolíferos do Texas, revelando como vivem e gozam os raros privilegiados e o único homem que alcança riqueza e poder através dos amores de muitas mulheres.

A famosa revista americana "Playboy" chamou o Harold Robbins de "o mestre da sexploração", trazendo à superfície outro dos muitos atributos que fizeram deste romancista o mais imitado em todo o mundo.

Bancarrota (Tomás da Fonseca)

Tomás da Fonseca é conhecido, pelos Mortaguenses, como "O Santo que não acreditava em Deus." O Livro Bancarrota relata um exame à escrita das agências divinas.

Tomás da Fonseca foi um grande escritor, político, mestre e pensador da 1ª República Portuguesa. (1877 - 1968)

Natural de Laceiras, freguesia de Pala, concelho de Mortágua, nasceu em 10/03/1877 e faleceu em 12/02/1968. Era filho de Adelino José Tomás e de Rosa Maria da Conceição e pai de Dr. António José Branquinho da Fonseca e Eng.º Tomás Branquinho da Fonseca.

Tomás da Fonseca foi uma personalidade de destaque no meio intelectual e político da sua época. Espírito brilhante e tribuno exímio, desde muito cedo se evidenciou na defesa das ideias liberais e depois do regime republicano. Teve um papel preponderante na geração que fez a República, pelo seu feitio combativo. Era firme e intransigente na defesa das suas ideias, sempre orientado na procura da verdade e da justiça e dono de uma coragem moral que desafiou todas as vicissitudes.

Foi um lutador pela integração social do Homem e defensor intransigente dos direitos daqueles que labutam duramente.

Tomás da Fonseca foi um homem de ação, organizador e animador de inúmeras associações de carácter cultural, social, económico e político, sendo uma figura de grande relevo na campanha intensa e acidentada que precedeu a proclamação da República Portuguesa em 1910. Como deputado marcou sempre presença nos grandes atos dos primeiros tempos do novo regime.

Em 1910 foi chefe de gabinete do primeiro Presidente do Ministério Republicano, Dr. Teófilo Braga e em 1916, eleito senador pelo distrito de Viseu.

Em 1918, por se opor à ditadura de Sidónio Pais, é preso durante dois meses. Volta a ser preso em 30 de Novembro de 1928, em Coimbra, por ter participado no movimento revolucionário de 20 de Julho. Pertenceu ao Movimento da Unidade Democrática e à Maçonaria. Feroz opositor do regime ditatorial, foi perseguido pelas suas ideias políticas e os seus livros alvo de censura e proibição. Por várias ocasiões a PIDE deslocou-se à sua residência e às gráficas onde os livros eram impressos para confiscá-los. Os seus movimentos eram constantemente vigiados, incluindo das pessoas e amigos, mortaguenses e não só, que com ele mais privavam.

Denunciou as condições prisionais do regime, o que lhe valeu a prisão em 8 de Maio de 1947, por ter protestado contra a existência do Campo de Concentração do Tarrafal, nas ilhas de Cabo Verde. Uma semana antes, no dia 2 de Maio, tinham sido já presos outros dois mortaguenses, acusados também de serem opositores ao regime: Dr. Victor Hugo Marques Miragaia, advogado e Deodato Medeiros Ramos, empregado comercial.

A título de curiosidade, tal era a sua fama de opositor ao regime que até no dia do seu funeral, realizado para o cemitério de Mortágua, a Policia Internacional de Defesa do Estado (PIDE) enviou agentes com a missão de anotar (discretamente) as pessoas e discursos de homenagem dos que ali compareceram ao último adeus.

Era um anticlerical convicto e assumido, tendo publicado vários livros críticos sobre a Igreja e a Religião. Ficou famosa a sua polémica com João de Deus Ramos sobre o ensino religioso nas escolas.

Como escritor literário, Tomás da Fonseca escreveu dezenas de volumes onde se contam livros de versos, arqueologia e belas artes, a doutrina democrática e a polémica religiosa.

Tomás da Fonseca não só marcou uma posição firme de grande escritor de ideias, como foi também um professor de raros recursos pedagógicos. A sua ligação ao ensino foi um ato contínuo, sendo vogal do Conselho Superior de Instrução Pública, diretor das Escolas Normais de Lisboa, da Universidade Livre de Coimbra, presidente do Conselho de Arte e Arqueologia da mesma cidade.

Como deputado do Parlamento até 1917, colaborou na reforma do Ensino Primário e Normal. Em 1922 publicou o livro "História da Civilização", que foi adoptado como livro escolar, a pedido do Ministro da Instrução Pública. Professor sempre atento e preocupado na formação, realizou inúmeras visitas de estudo a escolas, museus e bibliotecas em países como França, Bélgica e Inglaterra. Foi ainda um dos impulsionadores da construção do Jardim-Escola João de Deus, de Mortágua.

Em 1941, participou em Mortágua na fundação do Círculo de Leitura.

Um grupo de habitantes do concelho ligados aos meios democráticos e republicanos decidem fundar o Círculo de Leitura, uma espécie de biblioteca pública que se estabeleceu na Casa Lobo. O Círculo de Leitura foi criado com o objetivo de manter viva a chama da leitura após o desaparecimento das bibliotecas das Escolas Livres da Irmânia e de Mortágua, com a instalação da ditadura e a consolidação do Estado Novo. Promovia o culto do livro e o gosto da leitura, manifestando preocupação pela elevação do nível cultural dos seus associados, perto de 200.

Os livros eram comprados com o dinheiro resultante do pagamento das quotas e ofertas. O Círculo de Leitura também patrocinava palestras, que se realizavam no Teatro Club. Tomás da Fonseca proferiu ali várias conferências, uma delas em homenagem a Antero de Quental. O Círculo de Leitura se manteve até 1945.
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