Google+ Meu Mundo: Livros Proibidos Parte 2

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Livros Proibidos Parte 2

A Carne (Júlio Ribeiro)

A obra "A carne" de Júlio Ribeiro (um dos meus livros preferidos) é um romance naturalista publicado em 1888 que aborda temas até então ignorados pela literatura da época, como divórcio, amor livre e um novo papel para a mulher na sociedade. O livro conta a história da garota Lenita, cuja mãe morrera em seu nascimento e o pai a educou a ministrando instrução acima do comum. Lenita era uma garota especial, inteligente e cheia de vida. No entanto, aos 22 anos, após a morte de seu pai, se tornou uma jovem extremamente sensível e teve sua saúde abalada.

Com o intuito de se sentir melhor, Lenita decide ir viver no interior de São Paulo, na fazenda do coronel Barbosa, velho que havia criado seu pai. Lá, conhece Manuel Barbosa, o filho do coronel. Manuel era um homem já maduro e exímio conhecedor das coisas da vida, vivia trancado no quarto com seus livros e periodicamente partia para longas caçadas; viveu por dez anos na Europa, onde se casou com uma francesa de quem se separou há muito tempo. Lenita firmou uma sólida amizade com Manuel, que, aos poucos, vai se revelando uma tórrida paixão, no início, repelida por ambos, mas depois consolidada com fervor em nome do forte desejo da "carne".

O livro narra a ardente trajetória desse romance singular, marcado por encontros e desencontros, prazer e violência, desejo e sadismo, batalha entre mente e carne. A história caminha para um trágico desfecho a partir do momento em que Lenita, encontrando cartas de outras mulheres guardadas por Manuel, se sente traída e resolve abandoná-lo; estando grávida de três meses, se casa com outro homem. Manuel, não suportando tamanha traição, se suicida, o que comprova o resultado final da batalha "mente versus carne". No início, triunfam os prazeres da carne, no trágico final, os desenganos da mente.

O lançamento de A Carne, de Júlio Ribeiro, em 1888, fez grande sucesso e causou escândalo entre as famílias paulistanas tradicionais. As jovens eram proibidas de ler a obra e muitos pediam segredo ao comprar.

Caminhemos Serenos (Carlos Papiniano)

Escritor português, Papiniano Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues nasceu em Lourenço Marques (atualmente Maputo), capital de Moçambique, África, no ano de 1918.

Cedo se fixou no Porto, onde concluiu os seus estudos secundários. Se matriculou depois na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, onde conheceu Jorge de Sena. Contrariamente a este, Papiniano Carlos não chegou a concluir o curso, largamente preterido pelas suas aspirações literárias.

Divulgador incansável da poesia africana de expressão portuguesa, foi colaborando em publicações literárias que vieram a assumir um carácter de importância, como sendo a Seara Nova, a Vértice, a Bandarra e as Notícias do Bloqueio, que eventualmente dirigiu.

Em 1942 publicou o seu primeiro livro, uma coletânea de poemas intitulada Esboço que, com os volumes que seguiram, como Ó Lutador (1944), Poema da Fraternidade (1945), Estrada Nova (1946), o tornaram num nome de destaque de entre os poetas neorrealistas portuenses. Poetas que, pela sua combatividade, ficaram conhecidos como a "Geração de 50".

Esteve, portanto associado a nomes como Egito Gonçalves, António Rebordão Navarro, Daniel Filipe e Luís Veiga Leitão. Estreou como contista em 1946, ao publicar Terra com Sede, prosseguindo as suas contribuições para o género com o híbrido As Florestas e os Ventos (1952). Com uma obra poética bastante dispersa, caracterizada pela riqueza anafórica e pela redundância simbólica, compilou ainda alguns volumes de sucesso, como Caminhemos Serenos (1957), Uma Estrela Viaja na Cidade (1958) e o célebre A Menina Gotinha de Água (1962), vocacionado para o público infantil, pelo qual Papiniano Carlos nutria grande estima. Também para crianças compôs Luisinho e as Andorinhas (1977), O Cavalo das Sete Cores e o Navio (1980), O Grande Lagarto da Pedra Azul (1986) e A Viagem de Alexandra (1989). De referir também o seu único romance, O Rio na Treva (1975), e uma crónica, A Rosa Noturna (1961).

Caminhemos serenos!

Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas,
caminhemos serenos.

De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniquidade,
caminhemos serenos.

Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões do fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos,
caminhemos serenos.

O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia conosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,
já que o cárcere não basta
para a ave inviolável, que temer, ó minha querida?
Caminhemos serenos.

No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas,
caminhemos serenos!
(Carlos Papiniano)

Chéri (Collete)

Romancista francesa, Sidonie-Gabrielle Colette nasceu em 28 de Janeiro de 1873, numa pequena aldeia da Borgonha, de nome Saveur-en-Puisaye.

O pai era um antigo combatente das campanhas italianas, o infortúnio de perder uma perna fez com que passasse de capitão do exército a cobrador de impostos, mantendo ambições na política regional. A mãe, por seu lado, vivia num mundo muito próprio, composto essencialmente pelo seu jardim bem cuidado, por animais de estimação e pelos livros. Colette cresceu, portanto num idílio rural e despreocupado.

Em 1893 casou com Henri Gauthier-Villars, escritor e crítico teatral, conhecido no meio por 'Monsieur Willy', e cuja reputação foi posta em dúvida pela posteridade, acusado de charlatanismo e degeneração de costumes. Encorajou a jovem esposa a escrever e, segundo reza a lenda, encerrou-a no quarto até que ela compusesse um número de páginas suficientes ao seu agrado.

Consequentemente, Colette publicou o seu primeiro romance em 1900. Claudine à l'École constitui o início da série 'Claudine', da qual a autora completou quatro volumes em apenas três anos, assinando-os com o nome do marido.

Descrevendo as aventuras e desventuras de uma adolescente, Claudine desafiava os conceitos de decência da época, o que em muito contribuiu para o seu sucesso imediato. A série logo se tornou num fenómeno comercial, dando origem ao aparecimento de uma linha de produtos alusivos à personagem, como um uniforme, charutos, sabonetes, perfumes, e mesmo um espetáculo musical.

Em 1905 Colette pediu o divórcio com base legal nas infidelidades do marido e, no ano seguinte, deu início a uma carreira como atriz no teatro de revista, marcada pelos escândalos e atentados à moral pública. Numa ocasião terá desnudado um seio em palco e, noutra, causado uma rixa no famoso Moulin Rouge, ao simular o ato sexual. Apesar das suas atuações pouco ortodoxas e comportamentos homossexuais, Colette pôde prosseguir a sua carreira como atriz e escritora, sobretudo graças à proteção da Marquesa de Belboeuf.

Tornou a casar em 1912, desta feita com o editor de um conceituado jornal francês, e autor de contos e crónicas teatrais. O seu envolvimento com o filho do marido despoletou um novo escândalo. O matrimónio durou apenas até 1925.

Entretanto, em 1920, publicou Chéri, romance narrado por um adolescente que recebe a sua iniciação sexual de uma mulher mais madura.

Com a deflagração da Primeira Grande Guerra em 1914, Colette converteu a propriedade do marido, situada na Normandia, num hospital militar. Este esforço de guerra não só lhe valeu a investidura como Cavaleiro da Legião de Honra em 1920, como lhe garantiu grande popularidade por toda essa década, chegando a ser aclamada como a maior escritora francesa de todos os tempos.

Guardou da sua terra natal, a Borgonha, um amor pela liberdade e pela natureza que viria a inspirar muitos dos seus melhores escritos. Procurando a sua identidade transmutada a partir da ruralidade contemplativa, Colette descreve em muitas das suas obras a marginalidade urbana em que a sua vida desaguou, ao escolher como personagens prostitutas e proxenetas, bissexuais e travestis. Trabalhos como La Naissance du Jour (1928), Sido (1929) e L'Étoile Vesper (1947) se concentram no ambiente campestre da sua infância, enquanto que outras, como La Vagabonde (1911) e La Chatte (1933), abordam a estranha cidadania dos meandros de Paris.

Galardoada com inúmeros prémios, a obra de Colette valeu-lhe a admissão na Real Academia Belga e na Academia Goncourt, bem como uma promoção a Oficial da Legião de Honra em 1953.

Sofrendo de artrite degenerativa, Colette faleceu em Paris a 3 de Agosto de 1954. Apesar da recusa terminante por parte da Igreja Católica (que excluía dos seus ritos pessoas divorciadas), foram concedidos aos restos mortais da escritora honras fúnebres nacionais.

Sinopse do romance Chéri:

Filho de uma cortesã, o belo e mimado Chéri é educado na arte do amor por sua rival, Léa. No entanto, quando ele consente em um casamento arranjado com uma mulher rica, Chéri e Léa se separam. Mas ele não a esquece, e mesmo casado mergulha em um isolado mundo de sonhos e lembranças.

Chéri deu origem ao filme estrelado por Michelle Pfeiffer e Kathy Bates, e dirigido pelo premiado Stephen Frears (Ligações perigosas, A rainha e Alta fidelidade).

Obra controversa na época de seu lançamento, é um importante retrato da Paris de 1920. Chèri é considerado seu melhor romance, um clássico francês do século XX.
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