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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O Cemitério dos Vivos (Lima Barreto) {Download Livro}


Fruto da experiência de Lima Barreto quando esteve internado nos Hospital Nacional dos Alienados, no Rio de Janeiro, o Cemitério dos Vivos é uma obra valiosíssima para quem deseja conhecer um pouco da história da loucura no Brasil. Uma mistura de ficção e realidade, este livro é tão belo quanto devastador: Barreto descreve miniciosamente a realidade do hospício, toda a dor que ali se produzia, o abandono, a marginalização.

Dividido em uma parte de memórias ("O Diário do Hospício") e uma tentativa de ficcionalizar essa vivência (no romance "O Cemitério dos Vivos", que não chegou a concluir), o livro traz os relatos de seu segundo período de confinamento, iniciado no Natal de 1919, após uma noite vagando em delírio pelos subúrbios do Rio de Janeiro.

Sobre a loucura, trazemos aqui um trecho do livro:
"A loucura se reveste de várias e infinitas formas; é possível que os estudiosos tenham podido reduzi-las em uma classificação, mas ao leigo ela se apresenta como às árvores, arbustos e lianas de uma floresta: é uma porção de coisas diferentes.

Uma generalização sobre o seu fundo pecaria pela base. Choques morais, deficiência de inteligência, educação, instrução, vícios, todas essas causas determinam formas variadas e desencontradas de loucura; e, às vezes, nenhuma delas o é.

Apela-se para a hereditariedade que tanto pode ser causa nestes como naqueles; e que, se ela fosse exercer tão despoticamente o seu poder, não haveria um só homem de juízo, na terra. É bastante pensar que nós somos como herdeiros de milhares de avós, em cada um de nós se vem encontrar o sangue, as taras deles; por força que, em tal multidão, há de haver detraqués, viciosos, etc., portanto a hereditariedade não há de pesar só sobre este e sobre aquele, cujos antecedentes são conhecidos, mas sobre todos nós homens. Por ser remota? Mas as forças da natureza não contam o tempo; e, às vezes mesmo, as mais poderosas só se fazem notar quando se exercem lentamente, durante séculos e séculos."

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